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terça-feira, 13 de julho de 2010

“Peregrinações” à volta de Fernão Mendes Pinto

Mais de 200 actores e músicos percorreram as ruas da vila para contar a história e as aventuras de Fernão Mendes Pinto, numa viagem onde o real e o imaginário se cruzaram. As 300 pessoas que assistiram ao espectáculo ficaram “muito satisfeitas”

Montemor-o-Velho transformou-se nas duas últimas noites num enorme palco teatral. O espectáculo de rua “Peregrinações” juntou, nos espaços mais emblemáticos do centro histórico da vila, uma dezena de grupos, mais de 200 actores e músicos e aproximadamente 300 espectadores.
Durante mais de duas horas e meia foram reveladas as aventuras e a história de Fernão Mendes Pinto, recriados alguns dos lugares descritos na sua obra e invocadas personagens que pululam a literatura de viagens do século XVI.
A grande maioria dos espectadores com quem o Diário de Coimbra falou elogiou a iniciativa, inserida nas comemorações do quinto centenário do nascimento de Fernão Mendes Pinto. «Estou muito satisfeita, achei que os actores estiveram muito bem e adorei as diferentes abordagens e técnicas dos vários grupos de teatro», afirmou depois do espectáculo a conimbricense Ana Magalhães, de 43 anos.
O público, de todas as idades, teceu também largos elogios às músicas interpretadas pelos actores e ao «excelente» aproveitamento dos espaços da vila para criar os quadros que deram vida ao espectáculo, bem como ao intenso sentido de humor que reina nalgumas partes do evento.
As críticas negativas surgiram pontualmente e estiveram relacionadas com a duração do espectáculo, que terminou já depois da meia-noite. Alguns cidadãos, acompanhados de bebés e crianças, não ficaram até ao fim. A grande quantidade de mosquitos e de melgas existentes nalguns períodos de “Peregrinações” também mereceram reparos, se bem que este é um factor externo à própria produção.
No final do primeiro dia do espectáculo, na noite de quinta-feira, Deolindo Pessoa, responsável pela direcção e concepção, estava satisfeito. «Correu dentro das expectativas e tivemos um “feedback” positivo dos espectadores», afirmou.
Segundo o director do evento, a principal dificuldade do ponto de vista artístico foi precisamente «o número excessivo de espectadores». «Por um lado é bom, porque revela o interesse das pessoas, mas por outro lado limitou um bocado a acção e o próprio visionamento do espectáculo», explicou.

Caminhada pelas ruelas à luz das velas
O espectáculo “Peregrinações” acontece hoje pela última vez. O Diário de Coimbra desvenda um pouco do que o espectador pode encontrar.
A aventura começa às 21h00, no castelo de Montemor-o-Velho. O primeiro dos oito quadros (pequenas peças) acontece junto às ruínas da Igreja de Santo António. Aqui é feita uma alegoria aos primeiros anos de vida de Fernão Mendes Pinto. Fala-se das partidas de Montemor para Lisboa e depois de Lisboa para a Índia. Fernão Mendes Pinto procura aventuras e melhores condições de vida.
Os 300 espectadores desbravam depois as ruelas íngremes do castelo e do centro histórico. A iluminação pública e as luzes das casas da vila estão apagadas. As pessoas caminham em grupo, iluminadas apenas por velas espalhadas pelo caminho, que indicam o rumo da peregrinação.
O percurso vai dar ao adro da Igreja de S. Martinho, onde acontece o segundo quadro, centrado na chegada de Fernão Mendes Pinto à Índia. Revela-se a vontade de quem quer ser protagonista da história e percorrer os cantos do império. Os prazeres e o sofrimento inerentes a uma grande epopeia começam também a surgir.
No final do segundo quadro o espectador tem que decidir que caminho quer seguir, como numa verdadeira peregrinação. Quem optar pelo estandarte roxo vai descobrir mais sobre o tema da religião. O estandarte amarelo leva ao trajecto da guerra.
De um lado (quadro V e VI) fala-se dos milagres e enterro de São Francisco Xavier e a consequente conversão de Fernão Mendes Pinto, que se junta aos Jesuítas, bem como a posterior crise religiosa do protagonista e uma evocação a Camões e ao Canto IX. Estes dois momentos do espectáculo acontecem na Rua dos Combatentes da Grande Guerra e no Terreiro do Queimado.
Se o caminho escolhido é o da guerra, então o espectador pode descobrir mais sobre as muitas lutas que Fernão Mendes Pinto travou, na companhia de António de Faria, como foi feito prisioneiro e os naufrágios que sofreu (quadro III, no Largo Dr. Alves de Sousa – Largo do Outeiro).
Seguem-se guerras de Nixiancó, com o quadro IV, um jogo teatral na Rua da Cadeia Velha/Rua Dr. Luís Coutinho. A peça mostra como os portugueses acabam por ter um papel relevante no cerco ao castelo de Nixiancó. As contradições da epopeia portuguesa também são reveladas.

Final “não feliz”
Os espectadores que seguiram os diferentes estandartes (religião e guerra) voltam a convergir para os últimos dois quadros. O quadro VII trata das aventuras de Fernão Mendes Pinto por terras do Japão, onde as tempestades foram apenas um dos vários perigos que encontrou. A acção teatral estende-se por toda a Praça da República.
O termo da peregrinação, que acontece com o quadro VIII, tem um registo retrospectivo. É a prova de que nem sempre as histórias têm um final feliz, que a vida pode ser madrasta e injusta. Regressado a Portugal, Fernão Mendes Pinto não recebe o que lhe era devido (uma tença) pelos serviços prestados ao reino, sentindo na pele a ingratidão dos seus compatriotas.
No Vale de Rosal, em Almada, onde se manteve até à morte, escreve a sua obra “Peregrinação”, um relato tão fantástico do que viveu que durante muito tempo não se acreditou na sua veracidade.

Escrito por Bruno Vicente
In http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=8070&Itemid=135

quarta-feira, 30 de junho de 2010

PEREGRINAÇÕES em Montemor-o-Velho

Nos próximos dias 8, 9 e 10 de Julho sai às ruas de Montemor-o-Velho a peça de teatro "Peregrinações", um espectáculo comemorativo do V Centenário do Nascimento de Fernão Mendes Pinto. Este projecto é inovador porque não está confinado ao palco de um teatro: convida-se o público a estar às 21 horas no Castelo da vila para iniciar a "peregrinação" pelas diferentes cenas em Montemor-o-Velho. A entrada é livre, mas sujeita a reserva prévia, dada a limitação de 300 espectadores por noite.
As transições entre os quadros serão efectuadas através de música e será a referência para a deslocação dos espectadores. Há inclusivamente um quadro no final do qual se propõe dois trajectos distintos e o espectador é induzido a escolher: a guerra ou a religião. A maior parte dos quadros será acompanhada por músicas entoadas por um grupo coral e músicos de uma filarmónica. Na última cena, com todo o público, termina esta "viagem" com uma ceia final para o convívio de todos os presentes com a produção da peça.
O espectáculo foi criado a partir da obra "Peregrinação" de Fernão Mendes Pinto, que percorrerá diferentes espaços da terra onde o autor nasceu em 1509 ou 1510. Neste percurso serão recriados alguns dos lugares descritos na sua obra (Índia, Oriente), cruzando histórias e personagens na literatura de viagens que deixou escrita. O real e o imaginário cruzam-se neste percurso de oito quadros que convida à descoberta de outros tempos e paragens. A data de estreia é no dia 8 de Julho, data em que Fernão Mendes Pinto faleceu em 1583.
Este projecto iniciou-se em 2007, com uma primeira ideia, que contemplava a realização de acções de formação e de colóquios durante 2008 e 2009, bem como a produção teatral com os grupos de teatro do concelho e da região. Após a definição dos diferentes espaços na vila e da estrutura da peça, foi criado o texto dramático ao qual se deu o nome de "Peregrinações". Os ensaios iniciaram-se em Janeiro deste ano e envolvem mais de 200 pessoas, oriundas de 11 grupos locais e regionais de teatro. A concepção e direcção artística está a cargo de Deolindo Pessoa e conta com diversos encenadores: Isabel Craveiro, Jorge Louraço Figueira, Júlio Sousa Gomes, Leonor Barata, Patrick Murys e Ricardo Correia. A adaptação do texto e dramaturgia é da autoria de João Maria André.

Para mais informações e reservas, contactar:
O Teatrão, 239 714 013 ou 914 617 383, geral@teatrao.com
Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, www.cm-montemorvelho.pt

Para mais informações e pedidos de entrevista, contactar:
Ideias Concertadas - Ana Carvalho
912.774.979 ou acarvalho@ideiasconcertadas.pt

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Selo de Fernão Mendes Pinto entra em circulação

Um selo em homenagem a Fernão Mendes Pinto, viajante nascido em Montemor-o-Velho e cidadão do mundo, entra esta quinta-feira, dia 22, em circulação.

Fernão Mendes Pinto volta assim a peregrinar, na sequência de um desafio da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho aos CTT.
Esta é mais uma iniciativa que se destina a assinalar o quinto centenário do nascimento do viajante e está integrada no plano de emissões filatélicas “Vultos da História e da Cultura”.
No dia 8 de Julho, na Galeria Municipal e no âmbito da exposição filatélica “A Escrita” - organizada pela Secção Filatélica da Associação Académica de Coimbra e pela Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, e com o apoio dos CTT – Correios de Portugal – o selo é apresentado em Montemor-o-Velho e é lançado o carimbo comemorativo e que vai ser aposto em toda a correspondência apresentada no local.
A par de Fernão Mendes Pinto; Gomes Eanes de Azurara, Alexandre Herculano e Francisco Keil do Amaral são outras personalidades portuguesas que integram a iniciativa “Vultos da História e da Cultura” e que também entram em circulação no dia 22 de Abril.
A ilustração do selo “Fernão Mendes Pinto – 500 anos do nascimento” ficou a cargo de Luís Filipe de Abreu.

Fonte: http://campeaoprovincias.com/pt/index.php?option=com_content&view=article&id=7818:selo-de-fernao-mendes-pinto-entra-em-circulacao&catid=14:actualidade&Itemid=130

terça-feira, 9 de março de 2010

5 de Março de 1958

Morre, em Coimbra, o poeta Afonso Duarte (de seu nome completo Joaquim Afonso Fernandes Duarte Nascimento), natural de Ereira, antiga freguesia de Verride, do concelho de Montemor-o-Velho, onde nasceu em 1 de Janeiro de 1884.

Fonte e foto: http://anibaljosedematos.blogspot.com/2010/03/efemerides_05.html

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Góis despede-se de José Girão Vitorino

Antigo autarca de Góis morreu ontem ao princípio da manhã, no Instituto de Oncologia, em Coimbra. Corpo está em câmara ardente no Quartel dos Bombeiros

Góis perdeu um homem bom. José Girão Vitorino, ex-presidente da Câmara Municipal, sucumbiu ontem, depois de uma longa e sofredora luta contra a doença. Pouco passava das 6h00 da manhã quando o antigo autarca se despediu da vida. O corpo vai ser velado no quartel dos Bombeiros Voluntários e o funeral realiza-se hoje, às 15h00, com missa de corpo presente na igreja matriz de Góis, seguindo para o cemitério local. A Câmara da qual foi presidente durante nove anos e vereador desde 1977, decretou dois dias de luto. Hoje os serviços camarários estão encerrados a partir das 12h00. Góis despede-se, entre lágrimas e muita emoção, de um homem que, não sendo natural do concelho, cedo se apaixonou por Góis e se dedicou de alma e coração àquela terra e às suas gentes.
Há dois anos o antigo funcionário da EDP, empresa ao serviço da qual se radicou em Góis, começou a ter problemas de saúde e foi-lhe detectado um carcinoma pulmonar. Uma intervenção cirúrgica debelou parte da doença, mas, no último ano os problemas centraram-se na coluna, com a doença a ganhar terreno face à ânsia de viver de José Girão Vitorino. Foi essa mesma doença que o levou a não se recandidatar à Câmara de Góis e que lhe exigiu um esforço sobre-humano para terminar o mandado. Diz quem o acompanhou de perto que a violência das dores tornou assaz dolorosa a vida do antigo autarca, que se submeteu a tratamentos de radioterapia e quimioterapia e nos últimos meses se viu obrigado a andar de cadeira de rodas. Nas últimas três semanas o seu estado de saúde agravou-se substancialmente, tendo sido internado no Instituto Português de Oncologia, em Coimbra, onde morreu, ontem ao princípio da manha.
Apesar de a sua morte ser previsível, a notícia não aliviou o choque. Lurdes Castanheira, presidente da Câmara de Góis fala com emoção do amigo e do autarca, considerando que a morte de Girão Vitorino constitui «uma perda muito grande para o concelho de Góis e para o Partido Socialista». A presidente da autarquia recorda a amizade e companheirismo que a ligava ao antigo presidente da autarquia, a quem sucedeu, recordando que «fiz equipa com ele em momentos particularmente difíceis na vida de Góis» e lembra o início do seu trabalho profissional, na Câmara, em 1989. «Acolheu-me muito bem como funcionária», diz. Mais tarde, Lurdes Castanheira integrou o executivo municipal e, quer em termos pessoais, quer profissionais, quer políticos, considera Girão Vitorino «uma referência incondicional». «Aprendi muito com ele em termos de solidariedade e de fazer bem aos outros. Era uma pessoa de uma sensibilidade imensa e de uma grandeza a toda a prova. Deixa uma marca profunda no concelho de Góis», diz ainda, emocionada, a presidente da autarquia, sublinhando «o empenho, a dedicação e o trabalho» que Girão Vitorino sempre colocou «na luta pela defesa dos interesses da causa pública, de Góis e dos goienses». Por isso, pelos muitos anos que o antigo autarca dedicou ao concelho, Lurdes Castanheira considera que «este é um momento difícil para a família, mas também para Góis. Certamente parte com o sentimento de missão cumprida, porque fez muito pelo concelho», sublinha a presidente da autarquia, que decretou dois dias de luto.

Um homem com H

«Era um homem com H grande», afirma José Cabeças, presidente da direcção da ADIBER, antigo presidente da autarquia de Góis, a quem Girão Vitorino sucedeu. «Ajudou muito a nossa vila, apesar de não ser de cá», diz Humberto Matos, antigo vereador da autarquia, que o define como «uma pessoa boa, muito bem formada e um grande amigo». «Não sendo goiense, fez muito por Góis e vai fazer muita falta», refere Fernando Ribeiro, um amigo de longa data.
«Era um grande amigo, um autarca com mais de 30 anos de experiência », afirma, com emoção José Carvalho, presidente da Assembleia Municipal de Góis. Foi na pensão do sogro de José Carvalho que Girão Vitorino ficou alojado quando, ao serviço da EDP foi trabalhar para Góis. E ali nasceu uma amizade longa e duradoura. Ontem, a caminho do velório, José Carvalho temia pela sua própria reacção. «Não era preciso sofrer tanto para ter este triste fim», desabafa, perante a perda de «um amigo de referência».
José Serra, vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Góis, colega de Girão Vitorino na EDP, recorda o trabalho que, juntos, fizeram, em prol da electrificação da região, bem como, anos mais tarde, no executivo camarário. Uma amizade e uma relação que começou há 33 anos e que se manteve «leal e sincera» até ao último dia.

Perfil

José Girão Vitorino fez 62 anos no dia 1 de Novembro do ano passado. Natural de Santo Varão, concelho de Montemor-o-Velho, começou a trabalhar na EDP em Fevereiro de 1966 e foi ao serviço deste empresa que se radicou em Góis. Iniciou a sua carreira como autarca em 1977, como vereador da Câmara de Góis. Em 1983 assumiu funções em regime de permanência, tendo a seu cargo o pelouro das Obras e Urbanização e a vice-presidência da autarquia. Em Março de 2000 substituiu José Cabeças (nomeado para a presidência da ARSC) na presidência da autarquia de Góis. Venceu as suas primeiras eleições autárquicas, como cabeça-de-lista, em 2001 e em 2005 foi reeleito presidente da Câmara de Góis, sempre sob a bandeira do PS. A doença impediu-se de se candidatar nas últimas autárquicas de Outubro.
Casado com Maria Elisa Guerra Santos e pai de dois filhos, Renato e Bruno Vitorino, José Girão Vitorino esteve vincadamente ligado à vida associativa do concelho que adoptou como sua terra de eleição. Entre outros cargos, foi presidente da direcção da Casa do Povo, integrou a direcção da Associação Educativa e Recreativa de Góis, foi vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia e presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários.

Escrito por Manuela Ventura
In http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=6004&Itemid=135
Foto: http://cultura.portaldomovimento.com/images/731.jpg

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Fernão Mendes Pinto iniciou Peregrinação

“A homenagem a Fernão Mendes Pinto não é um acto isolado”. Palavras do presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Luís Leal, na sessão que marcou o arranque das comemorações do V centenário do nascimento do viajante “nado e criado em Montemor-o-Velho até à idade de 10 ou 12 anos, na estreiteza casa de seus pais”. O edil afiançou que “esta homenagem faz parte de um programa cultural que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos anos, dando destaque a grandes montemorenses que ultrapassaram as fronteiras do nosso território, nomeadamente Afonso Duarte, Manuel de Macedo e Manuel Jardim”. “Sem cultura não temos desenvolvimento e que sem memória não temos conhecimento”, enfatizou o autarca, reiterando palavras de agradecimento e entusiasmo a todas as entidades e parceiros envolvidos no programa nacional e internacional dedicado a Fernão Mendes Pinto.
A abertura oficial da iniciativa teve lugar dia 14 de Janeiro, na Biblioteca Municipal Afonso Duarte, em Montemor-o-Velho, com Gonçalo Cadilhe e Vasco Graça Moura a abrirem o ciclo de conferências “Que o mar fosse tinta e o céu papel”, perante uma plateia numerosa, entusiasta e ávida em obter conhecimentos literários e aspectos culturais.
Moderada por Deolindo Pessoa, a primeira sessão do ciclo de conferências, girando à volta do tema “Literatura, Viagens, Literatura Como Viagem”, começou com Vasco Graça Moura a referir que “sem Cultura não há democracia”. O orador, partindo de uma abordagem aos clássicos da literatura – Ilíada, Odisseia e os Lusíadas – esboçou “a viagem das ideias e a sua transmissão”.
Para o conferencista “a revolução das novas tecnologias permitiu eliminar o tempo da transmissão das ideias”, fazendo com que “estas possam estar em simultâneo nos quatro cantos do mundo”.
A par desta “ubiquidade das ideias”, Vasco Graça Moura considerou ainda que o “politicamente correcto”, “a distorção e a pirataria” são alguns dos perigos que atingem a viagem das ideias. Sublinhou ainda o valor de Fernão Mendes Pinto, como um “um grande artista da língua portuguesa”, que evidenciou “uma forte capacidade de expressão”.
Gonçalo Cadilhe, de forma divertida, começou por dizer que “tenho viajado um pouco acima da média daquilo que se viaja em Portugal”, explicando que “desde a sua infância, revisitou os locais, os livros, as personagens e os autores que lhe permitem desenvolver a actividade profissional em torno do jornalismo de viagens”.
Aludindo ao processo de “como a pesquisa e a actividade de leitor conduz a um novo projecto e a uma nova viagem”, o conferencista salientou que “o próximo projecto vai estar relacionado com Fernão Mendes Pinto”.
Um participado debate entre a audiência e os conferencistas encerrou a primeira sessão do ciclo de conferências “Que o mar fosse tinta e o céu papel”. Este ciclo de conferências, com organização da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, d’“O Teatrão” e da Direcção Regional da Cultura do Centro do Ministério da Cultura, volta no dia 11 de Fevereiro, pelas 21h00. Tendo sempre como pano de fundo a obra de Fernão Mendes Pinto, na segunda sessão, o tema “As Religiões/ Fraternidade e Conflito” será abordado por José Manuel Leite, José Luís Ferreira e João Maria André.
“As Mulheres” é o tema a escalpelizar por Margarida Calafate Ribeiro, Ana Paula Laborinho, Fina d’ Armada, dia 11de Março; Fernando Ramos, Ana Leonor Pereira, João Rui Pita falarão sobre “Drogas e Coisas Medicinais”, em Abril; a 13 de Maio, “O Mundo e Os Outros” será apresentado por Fernando Nobre e Cláudio Torres e, a 6 de Outubro, o tema “O Mundo e Os Outros” está a cargo de Jorge Sampaio e António Pinto Ribeiro.

Aldo Aveiro
In Correio de Coimbra
Fonte e foto: http://www.amicor.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=2600:montemor-fernao-mendes-pinto-iniciou-peregrinacao&catid=64:regioes&Itemid=81

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Conferências dedicadas a Fernão Mendes Pinto

O ex-Presidente da República Jorge Sampaio, o dirigente da AMI Fernando Nobre e o poeta Vasco Graça Moura são conferencistas num ciclo que celebra os 500 anos do nascimento de Fernão Mendes Pinto em Montemor-o-Velho.
Intitulado “Que o Mar Fosse Tinta e o Céu Papel”, o ciclo de conferências começa hoje na Biblioteca Municipal Afonso Duarte, em Montemor-o-Velho, e visa «ler a “Peregrinação”, ler algumas leituras da “Peregrinação” e ler cinco séculos do mundo através dos grandes temas» da obra de Fernão Mendes Pinto.
Uma sessão sobre “Literatura, Viagens, Literatura como Viagem”, hoje às 21h00, com Vasco Graça Moura e o escritor Gonçalo Cadilhe, inaugura hoje o ciclo, que se prolonga até ao próximo dia 6 de Outubro.
Organizado pela Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, companhia O Teatrão e Direcção Regional de Cultura do Centro, compreende ainda duas conferências sobre “O Mundos e os Outros”, a 13 de Maio e a 6 de Outubro, em que são oradores Fernando Nobre e Cláudio Torres (na primeira) e Jorge Sampaio e António Pinto Ribeiro (o antigo director artístico da Culturgest, ligado agora à Fundação Calouste Gulbenkian).
«São pessoas com uma mundivivência, uma perspectiva global do mundo, que o próprio Fernão Mendes Pinto e outras pessoas da época também deram», disse à agência Lusa Deolindo Pessoa, da direcção de O Teatrão, a propósito destas duas sessões.
“As Religiões/Fraternidade e Conflito”, “As Mulheres” e “Drogas e Coisas Medicinais” são os temas das restantes conferências, em que participam, entre outros, João Maria André, Ana Paula Laborinho, Fernando Ramos, Ana Leonor Pereira e João Rui Pita.
Coordenado por António Pedro Pita, director regional da Cultura do Centro do Ministério da Cultura, o ciclo insere-se num vasto programa iniciado em 2009 pela Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, em parceria com diversas instituições, para comemorar os 500 anos do nascimento de Fernão Mendes Pinto.
Nascido em Montemor-o-Velho, Fernão Mendes Pinto «é um vulto da história portuguesa conhecido mundialmente, não só pelo seu livro “Peregrinação”, mas também porque se confunde com o período em que o seu país - Portugal - deu novos mundos ao mundo. Este viajante encontra-se indelevelmente ligado aos primeiros contactos ocorridos entre o Oriente e o Ocidente», lê-se numa nota da organização.
Um dos pontos altos das comemorações, que se prolongam até 2011, é um espectáculo em Julho na zona histórica da vila, envolvendo dez grupos teatrais do concelho, numa co-produção de O Teatrão e da autarquia de Montemor-o-Velho.

Fonte: http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=5754&Itemid=135

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Autarquia celebra vultos culturais do concelho

Celebra-se a cultura e alguns dos vultos montemorenses que marcaram a história do concelho. Fernão Mendes Pinto, por um lado, como cronista autor da “Peregrinação”, 500 anos que passaram sobre o seu nascimento; Manuel de Macedo, por outro, um dos desenhadores, aguarelistas e ilustradores mais importantes do país, falecido há cem anos; e ainda Manuel Jardim, o pintor que há cem anos participou no “Salon” de Paris. Todos eles serão homenageados pela Câmara Municipal de Montemor, através de iniciativas a desenrolarem-se entre este ano e 2011. Para isso é fundamental a colaboração do Museu Nacional Machado de Castro e do Arquivo da Universidade de Coimbra. Os protocolos de colaboração foram assinados ontem, na Galeria Municipal de Montemor-o-Velho, marcando o início das festas do concelho.
Com a assinatura dos protocolos, e com as consequentes iniciativas, Montemor «tira partido das suas referências culturais», afirmou Pedro Machado, durante a cerimónia, em que foi também lançada mais uma edição da revista “Monte Mayor – a terra e a gente”.
Falando nos três eixos que o município definiu para o seu desenvolvimento – educação, cultura e desenvolvimento económico – o vice-presidente referiu, em particular, a cultura, primeiramente com uma aposta no tecido associativo; mais recentemente com uma aposta em iniciativas que tiram partido dos grandes vultos culturais com ligação ao concelho.
«A cultura entrou, definitivamente, nesta região do Baixo Mondego», afirmou, por sua vez, o presidente da autarquia, Luís Leal.
O protocolo estabelecido com a Universidade de Coimbra insere-se nas comemorações dos 500 anos sobre o nascimento de Fernão Mendes Pinto e prevê a realização de uma exposição temática a decorrer no âmbito da XII Semana Cultural da Universidade de Coimbra, estando ainda previsto que o Arquivo da Universidade de Coimbra participe na organização das várias iniciativas comemorativas que a Câmara de Montemor vai desenvolver até 2011.
Já a participação do Museu Nacional Machado de Castro é feita nas comemorações dos 100 anos sobre a morte de Manuel de Macedo e dos 100 anos do pintor Manuel Jardim no “Salon” de Paris. No primeiro caso, o protocolo estabelecido com a autarquia prevê a edição da reprodução de cinco desenhos de Manuel de Macedo, uma publicação sobre a obra do artista e a realização de uma exposição. No segundo caso, o acordo estabelecido entre a autarquia e o Museu Machado de Castro prevê a edição do calendário de parede “Manuel Jardim, impressões da arte moderna” e a realização de uma exposição polinucleada (em Coimbra e Montemor-o-Velho) tendo em vista as comemorações dos 100 anos do pintor no “Salon” de Paris.

Escrito por Margarida Alvarinhas in http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=3714&Itemid=135

segunda-feira, 9 de março de 2009

Peregrinação celebra 500 anos de Fernão Mendes Pinto

Durante dois anos, Montemor e Almada assinalam o nascimento do cronista, através de um vasto programa de actividades

De todas as realizações previstas para os próximos dois anos, o Projecto Peregrinação, ontem apresentado na autarquia de Montemor, é o mais ambicioso, envolve mais meios e anos de preparação.
Trata-se de um espectáculo, a estrear no dia 8 de Julho de 2010, e que se baseia na narrativa da Peregrinação para a criação de vários quadros cénicos que são apresentados num percurso que liga o castelo e a baixa da vila.
O espectáculo, criado por Deolindo Pessoa, envolve a intervenção do "Teatrão", e toda a uma série de grupos de teatro, música e dança do Baixo Mondego, uma área geográfica, onde a produção artística é profusa.
O Projecto Peregrinação é, segundo Luís Leal, edil de Montemor, «o pontapé de saída» para as comemorações, que envolvem exposições, uma reedição fac-similada da Peregrinação, conferências, entre outras actividades, que envolvem a participação e colaboração de inúmeras entidades.
A Direcção Regional de Cultura do Centro é co-organizadora e encontrou nestas comemorações a forma de continuar o trabalho que tem vindo a ser realizado junto dos grupos do Baixo Mondego.
O director regional lembrou que um trabalho anterior, à volta da temática de Tchekov, «confirmou que se trata de uma micro-região riquíssima do ponto de vista das artes cénicas, música e dança».
Pedro Pita salientou ainda que os cerca de 40 quilómetros que unem Coimbra à Figueira da Foz representam um «panorama singular em termos nacionais», frisando que «Montemor representa, não só geograficamente, um papel central».
O responsável do organismo estatal referiu-se ainda a Fernão Mendes Pinto, explicando que o cronista, «chegaria, só por si, para colocar Montemor», no mapa a cultural, lembrando que o concelho, contudo, tem outros nomes de relevo na cultura, como sejam Afonso Duarte e o pintor Manuel Jardim.
Deolindo Pessoa debruçou-se especialmente sobre o "seu" Projecto Peregrinação, explicando que este não pretende ser uma adaptação fiel às crónicas de Fernão Mendes Pinto, mas antes um exercício artístico, com ramificações para além do próprio espectáculo.
Na montagem, inspirou-se nas procissões dos passos, idealizando um espectáculo, com oito quadros, que o público vai acompanhando desde o castelo até à baixa, e em que participarão os vários grupos do concelho.
Numa altura em que este projecto vai entrar em pré-produção, Deolindo Pessoa explicou que foi intenção que os intervenientes também tivessem mais valias, razão pela qual vão decorrer, durante este ano, várias acções de formação, no primeiro semestre, de carácter mais genérico e abertas a todos, tornando-se mais específicas na segunda parte do ano.

Fonte: http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=984&Itemid=135

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Personalidades - Manuel Maria de Macedo Pereira Coutinho Vasques da Cunha Portugal e Menezes

«Espírito eminentemente moderno, todo penetrado dos processos críticos das novas escolas literárias e artísticas, amante fiel da realidade, estudando incessantemente o modelo e a vida, possuindo a consciência plena do fim social da arte.»
Esta é a apresentação que Ramalho Ortigão faz de Manuel Maria de Macedo Pereira Coutinho Vasques da Cunha Portugal e Menezes, um nobre da arte realista, conhecido no meio artístico por Manuel de Macedo (Verride 1 de Maio de 1839- Lisboa 26 de Maio de 1915).
Oriundo da nobreza, filho segundo de um Par do Reino, teve uma educação artística esmerada. As relações familiares proporcionaram-lhe a oportunidade de conviver durante a infância com estrangeiros em passagem, de conhecer as obras desses artistas, assim como as ideias, as correntes que iam germinando pela Europa. Trabalharia também com o Mestre anunciação durante um ano.
Entretanto por morte do seu pai, e como filho sem direito a herança, por ser segundo, viu-se na necessidade de trabalhar para viver, apesar do apoio do seu irmão mais velho, também ele Par do Reino.
Esta dependência a seu irmão obrigou-o a andar atrás dele, e em 1858 encontra-se no Porto, onde permanece dois anos em total integração com a colónia inglesa ali residente. Ali conhece e estuda com o escocês Alfredo Guilherme Howel, desenhador e aguarelista que o orienta desde logo para o estudo dos costumes, para a visão do povo na sua realidade vivencial. Uma orientação querida por essa colónia, e que é o seu primeiro público comprador. Segundo Alberto Meira, travaria também convívio com os artistas portuenses Francisco José Resende, os irmãos Correia, Francisco Pinto da Costa…
Sendo um espírito educado e humanístico, ele procurará apreender todas as técnicas de criação artística, e desse modo encontrámo-lo em Coimbra (acompanhando os estudos do irmão), e depois em Lisboa, como um cenógrafo magistral - «em cenografia o seu pincel ‚ hoje dos mais elogiados, pelos efeitos de perspectiva e combinação de tinta em que tanto procura aproximar-se da natureza» (in "Artes e Letras' por José Maria de Andrade Ferreira / 1872)
Quando se radica em Lisboa (1862) abre-se á sua curiosidade um maior campo de actividades artísticas como a gravura. a ilustração, a caricatura e a crítica.
«Em 1872 - recorda Artur Ribeiro in "Artistas Contemporâneos - houve uma tentativa em favor da publicação ilustrada e, a convite do gravador Pedroso, fez Manuel de Macedo alguns ensaios de ilustração; popularizando-se a gravura, o nosso artista lançou-se abertamente neste género de trabalho /.../.Tipos populares duma rigorosa naturalidade, animados de intensa vida e duma cintilante veia humorística. Que os torna congéneres dos tipos do imortal Gavarni.»
Tendo-se iniciado pelo realismo costumbrista de influência inglesa, entrava na gravura como realismo humorístico de influência francesa.
A sua obra gráfica inicia-se na década de sessenta, e segundo descoberta de António Dias de Deus, trabalhos seus surgem no jornal “As Notícias” que inicia a sua publicação a 27 de Março de 1866, incluindo já desenhos de Manuel de Macedo. Mas seria na década de setenta que se imporia no meio académico e gráfico.
Está ligado á criação das revistas de crítica literária e artística, como “Artes e Letras” (1872) e “Ocidente” (1878), e aqui desenvolverá grande actividade, como desenhador assim como critico e teórico.
Ilustrando dezenas de livros, e colaborando em diversas publicações podemos aqui invocar por alto alguns títulos como o Diário Ilustrado (1872), Almanac Ilustrado para 1873, Recreio Infantil (1874), Lanterna Mágica (1875), Almanach de caricaturas para 1876, Jornal dos Artistas (1875-77),, A Ilustração (1884)… Revista Ilustrada (1891), Gazeta Ilustrada (1901)… Revista das artes Gráficas (1907), O Tripeiro (1910)… assim como no Comércio do Porto Ilustrado, Diário de Notícias Ilustrado…
Ilustrou livros como “A Gravura em Madeira em Portugal” de João Pedroso (1872/76), “Lisboa na Rua” de Júlio César Machado (1874), “História de Portugal” de António Enes (1876), “As tragédias de Lisboa” de Leite de Bastos (1877/79), “O Hissope” de António Dinis da Cruz e Silva (1879). “O Real Teatro de São Carlos” de Fonseca Benevides (1883), “Álbum dos Costumes Portugueses” (1888)…
Manuel de Macedo seria também professor de desenho no Instituto Industrial de Lisboa, publicando como complemento alguns livros de divulgação artística e técnica das artes do desenho. A sua actividade abrangeria também a crítica de arte, ou crónica como ele baptizou os seus trabalhos (assinados por vezes com pseudónimos de ”Spectator” ou “Pincel”), assim como viria a ser o primeiro conservador do Museu Nacional de Belas artes, fundado em 1884.
Pintor da comédia dos costumes, Macedo entendeu o realismo como visão humorística, como realismo da actualidade, visão popular mas erudita, visão paralela á de Nogueira da Silva, só que com um outro poder de análise estética.
«O sr. Macedo é, talvez, - diz Andrade Ferreira em 1872 in Artes e Letras - o nosso artista que possui mais conhecimentos teóricos. Poucos como ele falam tão bem a linguagem de atelier e entram mais facilmente na parte tecnológica de arte. /../ Abraçou com encarecimento os princípios da proclamada escola realista.»
Erudito eminente, seria companheiro de tertúlia de Manuel Maria Bordalo Pinheiro, apoiando-o na sua tentativa de realismo, na sua campanha de crítica às artes portuguesas e sua dinamização, trabalhando com ele a gravura. Se a sua obra é importante dentro do humorismo social e pitoresco, mais importante será a sua influência técnica e de gostos ao jovem da casa Bordallo Pinheiro. Nogueira da Silva como criador, e instrutor de jovens gravadores; Manuel Maria como pai e teórico das artes; Manuel Macedo como criativo e também teórico influenciaram o gosto deste jovem, que também começaria por ser costumbrista, realista, antes de se tornar na grande figura de charneira da caricatura portuguesa - Raphael Bordallo Pinheiro.

Fonte: http://humorgrafe.blogspot.com/2008/01/histria-da-caricatura-em-portugal-parte_13.html