terça-feira, 30 de novembro de 2010

Unanimidade contra o PROT em Montemor-o-Velho

O executivo da coligação PSD/CDS e a oposição PS exigiram ontem (29), em reunião de câmara, alterações substanciais ao Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT) do Centro.
Luís Leal considera que, em “alguns aspectos” e em “questões nevrálgicas”, a proposta é “autista”. Segundo o presidente da Câmara de Montemor, não respeita as especificidades do concelho, predominantemente agrícola e rural. Nem as do Baixo Mondego.
Emílio Torrão não se limitou a concordar com Luís Leal, ao criticar a “clara perda de importância de Coimbra a favor de Aveiro”.
E afirmou que “Coimbra tem estado de costas voltadas, de forma ostensiva, para os concelhos vizinhos”. Isso, frisou, “traduz-se no PROT, e é grave”.
Propôs ainda a criação do estatuto Projectos de Interesse Regional.

Fonte: http://www.asbeiras.pt/2010/11/unanimidade-contra-o-prot-em-montemor-o-velho/

Limpeza na Carapinheira

O Agrupamento de Escuteiros 1207, da Carapinheira (em Montemor-o-Velho) promoveram uma acção ambiental. Deitaram mãos à obra, limparam e recolheram lixo em vários locais da freguesia.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/outros/correio-do-leitor/limpeza-na-carapinheira

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Bons alunos em Montemor-o-Velho


Pelo 9ºano consecutivo, a Junta de Freguesia de Montemor-o-Velho premiou os melhores alunos da freguesia. Foram distinguidos 13 estudantes.

Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/outros/correio-do-leitor/bons-alunos-em-montemor-o-velho

Inglês é trunfo para servir melhor turistas

A Câmara Municipal de Montemor-o-Velho convidou e elas aceitaram: por estes dias, há 19 pessoas ligadas ao comércio, hotelaria e restauração a receber formação nas áreas de atendimento ao público e Inglês. Prestar um melhor serviço aos turistas é o objectivo.
É por gestos que Aida Cação costuma comunicar com os turistas que entram no seu minimercado "Minimor". E a vila atrai muitos, com o castelo, as igrejas e o Centro de Alto Rendimento, diz. "Por vezes, vão às prateleiras buscar um produto dentro do que querem e fazem comparações, gestos. Acho graça quando querem repelente de insectos. Coçam o braço, para eu saber. Esta é uma zona de muitos mosquitos", diz a comerciante, de 47 anos, que pretende, sobretudo, adquirir competências básicas em Inglês.
"A outra parte [atendimento ao público] é mais para clarificar ideias, porque, isso, o próprio trabalho nos ensina", prossegue. José Garcia, outro formando, concorda: "Faz-nos mais falta o Inglês". Uma das suas metas é ter no restaurante, denominado "Zé Padeiro", uma lista nessa língua, como sucedia no estabelecimento que teve em S. Miguel, nos Açores, por mérito de um funcionário.
No entender de José Garcia, de 42 anos, deviam ser reservadas mais horas à aprendizagem de Inglês. O pedido já foi registado, de acordo com Mário Jorge Silva, director pedagógico da Escola Profissional de Montemor-o-Velho, onde, até dia 26, decorre a formação com 19 pessoas, divididas em dois grupos, apostadas em aprender a comunicar de forma mais eficaz com os clientes, em especial, de outros países.
A iniciativa é promovida pela Câmara Municipal, no âmbito do projecto CANTATA 2 - que visa o "desenvolvimento turístico de pequenos núcleos urbanos", explica Mário Jorge Silva -, e conta com a colaboração da Associação Diogo de Azambuja (ADA).
Um "destino apetecível""Habilitar" estas pessoas para "prestarem um melhor serviço" e "prepará-las para os desafios" que se colocam a Montemor-o-Velho são as razões apontadas por Pedro Machado, vereador da Câmara, com o pelouro do Turismo, e presidente da Turismo Centro de Portugal, para o lançamento desta iniciativa. Que, como lembrou, não é a primeira do género, ali, nem deverá ser a última.Pedro Machado fala de um "destino apetecível" para os turistas pela riqueza do seu "conjunto patrimonial - edificado e natural", situado num "corredor privilegiado no sector do turismo" (entre Coimbra e a Figueira da Foz), que tem como trunfos, ainda, a gastronomia, a "componente cultural intensa" (exemplifica com o festival Citemor) e a aposta no desporto, espelhada no Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho.
Em Setembro, esta infra-estrutura acolheu o primeiro Campeonato da Europa de Remo, levando a Montemor-o-Velho 800 atletas, oriundos de 34 países, revelou Pedro Machado. Mário Jorge Silva não tem dúvidas: "Quem está no comércio e na restauração tem de estar preparado para compreender e servir".

Carina Fonseca
http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Coimbra&Concelho=Montemor-o-Velho&Option=Interior&content_id=1716163

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Teatro em Novembro

Homicida de Montemor-o-Velho


Clique na foto e veja a reportagem. Obrigado

JULGAMENTO COM FORTES MEDIDAS DE SEGURANÇA EM MONTEMOR

“Era um homem duro e agora sou um zombie”

Mário Pessoa, o homem que, a 29 de Novembro de 2009, após perseguição, matou a mulher a tiro de caçadeira, assim como um cabo da Guarda Nacional Republicana, com um disparo de revólver, dentro do posto de Montemor-o-Velho alegou ontem estar transtornado, numa espécie de loucura momentânea, motivada pela infelicidade sentida pelo desmoronar do casamento.
Se a cena do crime foi digna da sétima arte, o filme que o arguido ontem contou também, só que com diferença de que o argumento é de muito baixa qualidade, pelas incongruências e pelo discurso, ora emotivo, como a seguir arrogante. Aliás, este garantiu gostar de filmes do velho Oeste, mostrando preferência por John Wayne.
Falando “pelos cotovelos” a propósito de tudo e de nada, Mário Pessoa lamentou o dano causado às vítimas e às famílias, mas preferiu lamentar-se pela mudança que diz ter-se verificado na sua pessoa, elogiando, por várias vezes, a sua postura e conduta ao longo da vida.
O homem, acusado de 11 crimes, quatro dos quais de homicídio qualificado, frisou que «antes era uma homem duro e agora sou um zombie», mas garantiu que, apesar de tudo, «matar nem pela minha cabeça passava».
Confessou os disparos sobre a mulher, quando esta se encontrava dentro da ambulância, mas nega ter sido o autor da morte do guarda José Venâncio Dias, porque «não estava ninguém dentro da cela». Afirmação que manteve durante toda a sessão, mesmo quando instado a explicar como é que uma bala do seu revólver foi encontrada no corpo do militar.
Muito menos quando lhe foi mostrada uma foto do processo onde está o corpo do guarda dentro da cela, o que motivou o advogado da esposa do militar a requerer uma inspecção judicial ao local, negada para já.
Mário Pessoa defendeu sempre a tese de que se encontrava na cela, de costas para a porta e tentou matar-se, apontando a arma contra o queixo, sendo que esta se teria disparado duas vezes, quando lhe agarraram a mão, puxando-a para trás.
Mais do que uma vez referiu que a sua intenção era matar-se, mas, como enfatizou o juiz presidente, não se suicidou «e duas pessoas acabaram mortas».
A justificação para o incêndio em casa dos pais seria de que a explosão da pólvora é que lhe daria o impulso para espetar uma faca no pescoço. «Não fui capaz», afirmou, dizendo que se deslocou, depois, ao posto da GNR, no sentido de colocar termo à vida em frente à mulher, acabando a cena em duas mortes e duas famílias destruídas.

Arguido diz que não é louco
Negando a violência doméstica, acabaria por confessar duas situações, “descaindo-se” mais para o final ao dizer que Maria Manuela nunca saíra à rua com quaisquer tipo de marcas. «Era tudo ao fininho», disse.
Na verdade, a suposta desorientação – o próprio garantiu não ser louco – é justificada por Mário Pessoa pela alteração de personalidade da esposa, que se teria alegadamente tornado mais liberal do que o próprio aceitava, tentando deixar a ideia de que esta seria mesmo libertina.
O arguido começaria por justificar que numa das ocasiões em que agrediu a mulher, a razão terá sido o facto de esta «ter ido com clientes para a discoteca, enquanto eu estava no hospital», para depois a acusar de desaparecer com dinheiro e falar no nome de outro homem enquanto estavam na cama.
Mário Pessoa diria, depois, que, no dia do crime, teria sido Maria Manuela a tentar ter sexo com ele e não o contrário, alegações que levantaram um “burburinho” entre a audiência que esgotou os lugares disponíveis no Tribunal Judicial de Montemor-o-Velho.
Aliás, chegou a dizer que o bar de ambos estava transformado numa espécie de um bar de alterne, «cheio de homens predadores», assumindo que, a determinada altura, desconfiava da fidelidade da mulher.
Neste “filme” contado ao longo de cerca de quatro horas, o arguido tanto dizia que o amor pela esposa era e é verdadeiro e que lhe terá alterado o discernimento, como a seguir a acusava de comportamentos desviantes, contradições notadas pelo colectivo.
Em termos gerais, na versão de Mário Pessoa, o comportamento desviante da esposa ter-lhe-ia provocado o estado de alma que o levou a matá-la a sangue frio, disparando a cerca de um metro.
Por outro lado, virado para a parede da cela, onde via «o paraíso», não matou o guarda, nem viu o seu corpo estendido. Apenas se diz lembrar o outro militar, que ficou ferido numa perna.

Defesa pede nova perícia psiquiátrica
Alexandre Barros, advogado do arguido, defendeu que a perícia psiquiátrica realizada ao arguido seja declarada inválida por, alegadamente, ter violado os prazos de notificação. O causídico disse, ontem na audiência, que Mário Pessoa «foi impedido de exercer cabalmente os seus direitos», por ter sido notificado no mesmo dia de realização da perícia.
No requerimento apresentado ao colectivo de juízes, o advogado defendeu que a perícia «seja declarada inválida» e realizada uma nova avaliação psiquiátrica
do seu cliente.
Segundo fonte ligada ao processo, a perícia em causa dá o arguido como imputável. A defesa, por seu turno, invoca a imputabilidade diminuída de Mário Pessoa.

Forte contingente de segurança da GNR
O julgamento prossegue apenas a 16 de Dezembro, altura em que começarão a ser ouvidas as testemunhas. Ontem, a segurança foi reforçada, mas não houve problemas de maior.
Um forte contingente da GNR segurou o local e controlou as entradas na sala de audiências, revistando toda a gente, incluindo os profissionais da comunicação social.
À chegada, com um atraso de mais de uma hora, apenas estava, no exterior do tribunal, cerca de uma dezena de pessoas, e meia dúzia de repórteres de imagem. Os populares já ocupavam os seus lugares na sala e não assistiram a nada.
Apesar do forte impacto emocional provocado por dois assassinatos brutais, não se repetiram as manifestações ocorridas aquando da primeira audição de Mário Pessoa, há cerca de um ano. Mesmo na sala de audiências, não se ouviu mais do que uns choros e alguns murmúrios.
Quando o carro celular deixou as instalações, cerca das 19h00, ainda se ouviram alguns insultos, mas a saída fez-se sem problemas.

Escrito por José Carlos Salgueiro
http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=9993&Itemid=111

Acusado da morte da mulher pede perdão em tribunal

O homem que começou esta quinta-feira a ser julgado em Montemor-o-Velho, acusado da morte da mulher e de um militar da GNR, prestou declarações durante mais de três horas, pediu perdão, chorou, mas garantiu que não viu "ninguém morrer".
O arguido aceitou falar após ouvir a acusação de que é alvo - na qual lhe são imputados 11 crimes, 4 de homicídio, 2 dos quais na forma tentada -, tendo igualmente respondido às questões de colectivo de juízes, Ministério Público e advogados.
"Tanta mentira escrita sobre mim que está aí", disse Mário Pessoa, 42 anos, aludindo à acusação, chorando e implorando perdão aos familiares das vítimas.
"Pequei 10, 15, 20 minutos, quero pedir desculpa a todos os que estão aqui, nunca vou conseguir emendar o mal que fiz (...). Não me incriminem, são humanos como eu, não passava pela minha cabeça matar", afirmou.
Por diversas vezes referiu-se à mulher como "querida Manuela", frisando que ainda hoje não acredita que tenha matado a mulher. "Sei que estava lá mas não vi. Até hoje sou um zombie", referiu.
Ao longo dos depoimentos de Mário Pessoa houve na assistência vários momentos de choro, designadamente de familiares das vítimas, mas a sessão decorreu de forma ordeira.
De acordo com a acusação, Mário Pessoa matou a mulher, Manuela Costa, 35 anos, à porta do posto da GNR de Montemor-o-Velho, onde esta se encontrava numa ambulância dos bombeiros locais.
Já depois de detido, no interior das instalações do destacamento territorial da GNR, disparou sobre dois militares, provocando a morte a David Dias, 42 anos.
Ao relatar a sua versão dos acontecimentos, esta quinta-feira num discurso nem sempre escorreito e recheado de contradições, Mário Pessoa recusou ter ameaçado de morte a mulher, com quem garantiu que se dava "bem" e que "amava".
Frisou que o que o levou a perseguir a mulher até ao posto da GNR onde esta se tinha deslocado para apresentar queixas de maus tratos ficou a dever-se à decisão de se "suicidar" à frente da mulher. "De há sete anos para cá a minha vida com a Manuela tem sido a descambar para o abismo. Ela andava a levar-me à loucura", disse.
De acordo com a versão que apresentou ao tribunal, pensou primeiro suicidar-se com uma faca, mas não teve coragem.
"Não era mais fácil dar um tiro em si próprio?", interveio o presidente colectivo de juízes, Pedro Figueiredo, aludindo às várias armas encontradas em casa do suspeito, mas Mário Pessoa não respondeu.
Após ter perseguido a ambulância, que inverteu a marcha e regressou à GNR de Montemor-o-Velho, Mário Pessoa assumiu que abriu a porta lateral do veículo após este se imobilizar, viu Manuela sentada, apontou a arma e disparou, mas desviando o olhar. "Não vi ninguém a morrer", sublinhou, recusando, igualmente, ter visto a filha de seis anos ao colo da mãe.
"Se a vejo tinha a certeza que perdia toda aquela loucura que estava sobre mim", disse, referindo ainda que os militares da GNR em serviço no posto não reagiram quando ali chegou empunhando uma caçadeira.

"Não fizeram nada, não me desarmaram", lamentou.

Já sobre a acusação de ter morto a tiro o militar David Dias, 42 anos, com um revólver que possuía, por diversas vezes insistiu que estava de costas, na zona das celas, quando ouviu "dois" tiros. Voltou a alegar que tentou o suicídio, desta vez encostando o revólver à garganta e que, ao ser impedido, a arma disparou duas vezes. "Quando vi o homem ferido [o cabo Teixeira] é que acordei", afirmou.

Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/montemor-o-velho-acusado-da-morte-da-mulher-pede-perdao-em-tribunal

Confessa tiros contra a mulher mas não na GNR

Acusado de ter assassinado a tiro a mulher, um militar da GNR e ferido outro, Mário assume-se fã de'westerns'

O julgamento de Mário Pessoa, suspeito da morte da mulher e de um militar da GNR pôs ontem em alerta máximo o Tribunal Judicial de Montemor-o-Velho. No entanto, o arguido, acusado de duplo homicídio, Mário Pessoa, 42 anos, alvo de todas as iras, entrou na sala de audiências como se fosse um herói. Insistiu na tese de que a mulher, "uma deusa", não o honrava como marido.
Casaco preto de cabedal com a gola levantada, camisa branca e calça preta, pede perdão, chora, fala com "toda a fé pura", diz que pegou nas armas "mas não era para matar". Tinha armas para a caça" e uma que "parecia a pistola de John Wayne". Sim, adora filmes de cowboys e, sim, tem o vício dos cavalos, assumiu ontem.
Mas falou com muitas contradições. Na ambulância "dei dois tiros, aquilo é rápido", mas em relação ao que aconteceu dentro do posto da GNR não sabe explicar. "Quero pedir perdão, até hoje sou um zombie." Nega as desavenças do casal, a tareia na mulher no dia da tragédia, "só lhe bati duas vezes, uma quando namorava, outra já casados". Afirma, sim, que, no dia fatídico tiveram relações de manhã cedo e até caíram da cama, na casa onde ela vivia com os filhos. E se ela se queixava de ferimentos na boca foi porque ele lhe enfiou os dedos na boca para "que os meninos não ouvissem" os barulhos. "Ela até me mordeu, tenho aqui umas marcas..." Porém, conta, o filho foi ao quarto e disse: "Pai, a mãe foi à polícia fazer queixa de ti para tu ires preso."
O que terá ocorrido a seguir está na acusação: com caçadeira, Mário Pessoa mata Manuela Costa, a 29 de Novembro de 2009 à porta do quartel da GNR de Montemor-o-Velho. Ela estava dentro da ambulância dos bombeiros. Detido, dentro do posto da GNR, terá disparado com um revólver que tinha no bolso das calças. O soldado David Dias morreu, o cabo Adérito Teixeira ficou ferido. Ontem, Mário começou a ser julgado por 11 crimes. Homicídio (dois consumados e dois na forma tentada), incêndio (terá ateado fogo em casa dos pais), condução perigosa de veículo, dois crimes de coacção agravada, resistência e coacção sobre funcionário, detenção de arma proibida e violência doméstica.
Após ouvir a acusação, Mário diz: "Tanta mentira, amava a minha querida Manuela. Quero pedir perdão à jovem viúva [do militar da GNR], ao meu cunhado..."
Porque não se matou? "Estou destinado a sofrer", justifica o arguido na resposta à pergunta do juiz-presidente, Pedro Figueiredo. E até contou que já foi "agredido [em Custóias] por elementos do gangue de Valbom".

Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/Interior.aspx?content_id=1714474&seccao=Centro

JULGAMENTO ESTA SEMANA

Homicida de Montemor julgado por 11 crimes

Matou a mulher com uma caçadeira, dentro de uma ambulância, e um militar da GNR, com recurso a um revólver

O Tribunal de Montemor-o-Velho começa a julgar, esta semana, o indivíduo que, no dia 29 de Novembro de 2009, baleou a esposa, de quem se encontrava separado, dentro de uma ambulância dos Bombeiros Voluntários, à porta do posto da GNR local, acção que seria agravada pela morte de um dos guardas, a tiro de revólver, já depois de ser imobilizado e detido.
No total, Mário Pessoa é acusado de 11 crimes, de onde se destacam quatro homicídios qualificados, dois dos quais na forma tentada. Em causa estão as mortes da esposa, Maria Manuela, e do militar José Venâncio, considerando o Ministério Público que o arguido tentou também matar a filha, que se encontrava na ambulância, junto da mãe, assim como outro militar, Adérito Teixeira, atingido na anca, por ter conseguido desviar a ama.
Para além destes crimes, cada um passível de uma pena de prisão que vai dos 12 aos 25 anos, o indivíduo, agora com 42 anos, é acusado de um crime de violência doméstica, um de incêndio, dois de coacção agravada, um de resistência e coacção sobre funcionário, assim como de detenção de arma proibida.
Aliás, para além das armas usadas no crime, nomeadamente uma caçadeira semi-automática e um revolver de calibre 0.32 Smith and Wesson Long (equivalente a 7,65mm), as autoridades encontram um vasto arsenal, tanto na viatura do arguido como, posteriormente, nas buscas efectuadas na sua residência.
Em concreto, no dia do crime, no carro de Mário Pessoa, foi encontrada uma caixa com 19 cartuchos para caçadeira, assim como uma faca de cozinha, com lâmina de 10 centímetros. Na habitação, na Carapinheira, para além de algumas dezenas de munições, as autoridades apreenderam duas caçadeiras (de 9 mm e 12 mm) e uma carabina “St Etienne” calibre .22 (5,6mm) “long rifle”, assim como uma espingarda de ar comprimido “Diana”, de calibre 4,5 mm, e um silenciador de fabrico artesanal. O Ministério Público destaca o facto de todas as armas e munições estarem em perfeito estado de conservação e funcionamento.

Violência doméstica acaba em morte
O caso que agora começa a ser julgado, no Tribunal Judicial de Montemor-o-Velho, terá sido o culminar de anos de maus-tratos e violência conjugal, da parte de Mário Pessoa para com a esposa, Maria Manuela Rama Costa, casados desde Setembro de 1995.
A acusação não precisa o início os abusos, mas situa-o em finais de 1996, referindo que a vítima acabaria por deixar o lar conjugal em 1998.
O crime reporta-se a 29 de Novembro de 2009 quando o arguido, segundo a acusação, se terá deslocado à residência da mulher, cerca das 6h00, instando-a a manter relações sexuais.
Perante a resposta negativa, terá partido, mais uma vez para a violência, desferindo-lhe murros na cabeça, nos braços e no rosto, agressões que deixaram vestígios de sangue em vários locais da habitação.
Maria Manuela conseguiu escapar-se, com a filha de seis anos, escondendo-se no exterior, perante as ameaças de Mário Pessoa, de que iria buscar uma caçadeira para a matar.
Tendo pedido socorro, por telefone, aos sogros, Maria Manuela foi conduzida por estes ao posto da GNR de Montemor-o-Velho, para que apresentasse queixa, de onde seguiu, já numa ambulância, em direcção ao Hospital Distrital da Figueira da Foz.
O arguido terá interceptado a ambulância e, com ameaça de arma de fogo, forçou-a a parar. O motorista optou por inverter a marcha e regressar ao posto da GNR, onde o homem acabaria por concretizar a morte da esposa.
A caçadeira apontada terá sido suficiente, segundo a acusação, para atemorizar os quatro militares presentes no exterior do posto o que deixou o homem livre para entrar no veículo e efectuar, pelo menos, três disparos à queima-roupa, provocando a morte da mulher. A filha foi atingida por 32 chumbos, no abdómen, numa perna e no braço direito.
Não satisfeito, o homem, já depois de ter saído da ambulância, regressou e efectuou mais dois disparos, sendo então desarmado por um dos militares e conduzido ao interior do posto.
Quando dois dos guardas se preparavam para colocar o detido o interior de uma cela, este sacou do revólver e disparou. Um dos militares teve um gesto reflexo que desviou o primeiro tiro para a sua coxa, mas o seu colega, José David Venâncio Dias, teve menos sorte, sendo atingido com três disparos que lhe provocaram a morte.
O homem é ainda acusado de um crime de incêndio, por, alegadamente, ter tentado queimar a residência onde vivia com os pais, espalhando pólvora de vários cartuchos numa carpete e incendiando-a. As chamas seriam apagadas pelo próprio pai, que chegou entretanto a casa.

Escrito por José Carlos Salgueiro
http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=9959&Itemid=135

Obra ajudou urbanização a deslizar

O inquérito preliminar ao deslizamento de prédios em Pereira, Montemor-o-Velho, aponta as características do terreno, uma obra anexa, as más condições das fundações dos prédios e rupturas de condutas de água como factores causadores do problema.
No relatório, a que o CM teve ontem acesso, elaborado pelo Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico em Ciências da Construção (ITeCons), refere--se como uma das causas prováveis a "escavação da obra" anexa a dois blocos de apartamentos.
O ITeCons defende que, "dadas as más condições geológicas" onde a obra decorria antes de ser embargada, "teria sido prudente fazer a escavação por troços, seguida da construção dos respectivos muros de contenção".

Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/obra-ajudou-urbanizacao-a-deslizar

Colhido por viatura

Um homem de 73 anos, que seguia de bicicleta, morreu após ser colhido por um automobilista, ao final da tarde de ontem, em Carapinheira, Montemor-o-Velho. A vítima, que residia em Casal do Mato, foi assistida pelos bombeiros e por uma equipa do INEM, mas veio a falecer.

Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/montemor-colhido-por-viatura

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Convívio em Verride

O Centro Paroquial de Solidariedade Social de Verride organizou uma festa de S. Martinho que contou com a participação de 80 idosos.

Fonte: Correio da Manhã

Unidade de Saúde Mental quer aproximar doentes à comunidade

A primeira Unidade de Saúde Mental Comunitária (USMC) na região Centro irá funcionar no Centro de Saúde de Figueiró dos Vinhos e servirá de modelo a outras três previstas na área do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra. O protocolo que assinala a sua implementação foi ontem celebrado, naquela vila do Norte do distrito de Leiria, com a presença do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro.
O governante salientou a importância daquela estrutura para o tratamento dos doentes mentais. «Hoje temos terapêutica que permitirá tratar os doentes mentais nas comunidades, numa vida praticamente indistinguíveis da vida dos outros cidadãos, desde que tenhamos estruturas adequadas para o fazer», disse o secretário de Estado.
Para Manuel Pizarro, os doentes mentais «têm de ser conhecidos na comunidade e têm de se saber, em cada centro de saúde, quem são eles» para além de «ter de haver um enfermeiro que se preocupe se eles tomaram a medicação direitinha».
Por outro lado, o secretário de Estado refere que «é necessário tirar o peso e o estigma que ainda existe sobre a doença mental» adiantando que «devemos procurar o esforço da integração dos doentes na comunidade».
Manuel Pizarro salientou, também, que a nova Unidade contribuirá para «um mais e melhor Serviço Nacional de Saúde, na área da saúde mental».
Também o presidente da Administração Regional de Saúde do Centro (ARS Centro) considerou tratar-se de «mais uma importante etapa que se cumpre no âmbito do plano de reestruturação e desenvolvimento dos serviços de saúde mental», servindo também de modelo para mais três unidades previstas para a área de referenciação do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra.
Segundo João Pedro Pimentel, a Unidade «assegurará, sem dúvida, uma maior acessibilidade e qualidade dos cuidados de saúde mental na zona Leiria Norte, através de uma colaboração mais estreita com os cuidados de saúde primários».

Unidade abrange 38 mil habitantes

Por sua vez, o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra apresentou os objectivos da nova unidade, que consistem em «implementar cuidados especializados de proximidade, integrados, assertivos e de qualidade na área da prevenção, tratamento e reabilitação a um determinado sector geo-demográfico, melhorando a sua acessibilidade e qualidade, procurando manter a pessoa no seu meio familiar, social e cultural através de equipas multidisciplinares de saúde mental comunitária».
De acordo com Fernando Almeida, aquela unidade, designada por “Leiria Norte” irá abranger cerca de 38 mil habitantes dos concelhos de Alvaiázere, Ansião, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Penela (parcial), Pedrógão Grande e Pombal (parcial).
Previstas estão as Unidades Litoral Sul, abrangendo os concelhos de Figueira da Foz e parte de Montemor-o-Velho e Soure, num total de cerca de 80 mil habitantes; a Coimbra Sul destinada da servir cerca de 76 mil habitantes dos concelhos de Coimbra, Condeixa, Penela, e restantes parte de Montemor-o-Velho e Soure; e a do Pinhal Interior, que abrangerá os concelhos de Arganil, Tábua, Góis, Penacova, Poiares, Oliveira do Hospital e Lousã, num total de cerca de 93 mil habitantes.

Contrapartida devido ao encerramento do SAP

A Unidade de Saúde Mental Comunitária de Leiria Norte surgiu como contrapartida do encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do Centro de Saúde de Figueiró dos Vinhos, durante o período nocturno.
Uma situação que deixou satisfeito o presidente da Câmara Municipal. Rui Silva recordou o procedimento em que foi feito aquele acordo com a ARS Centro, no Verão do ano passado, e que juntou o executivo de maioria social-democrata e a vereação socialista.
O autarca destacou, ainda, a «grande postura de seriedade» do presidente da ARS Centro e do governador civil de Leiria para que aquele projecto fosse concretizado.
Considerando tratar-se de um «dia muito feliz», Rui Silva referiu que a implementação daquela unidade de saúde representa uma «excelente medida de descentralização». «Podemos não ter um SAP 24 horas por dia, mas teremos uma valência importante para todo o Norte do distrito de Leiria», disse.

Orlando Cardoso Diário de Coimbra Diário de Leiria

Montemor-o-Velho: moradores de prédios que deslizaram sentem-se inseguros

Os moradores dos blocos de apartamentos que deslizaram vários centímetros numa urbanização de Pereira do Campo, em Montemor-o-Velho, dizem que, apesar das intervenções técnicas no local, os prédios continuam a deslizar e temem pela sua segurança.
«Temos marcas visuais que eles próprios [a Protecção Civil] colocam que comprovam que isto, pouco ou muito, está a alterar. O que se passa nos solos, se está oco, se não está, não sabemos e ninguém nos diz», afirmou à Lusa Pedro Pires, um dos moradores.
Na passada semana foram detectadas fissuras e desníveis em dois blocos habitacionais, alegadamente provocados por um deslizamento de terras no subsolo.
Dois edifícios de construção recente afastaram-se vários centímetros dos adjacentes, existindo ainda fendas em garagens e passeios da urbanização, segundo constatou a Lusa no local.

Vereador admite que «talude está numa situação instável»

Depois de uma reunião técnica e de segurança, que juntou diversas entidades na autarquia de Montemor-o-Velho segunda-feira, decidiu proceder-se à «consolidação de um talude adjacente à base dos prédios em causa, local onde decorria uma obra de uma unidade de cuidados continuados de saúde, entretanto embargada, por questões de segurança».
O talude «está numa situação instável» e «está a provocar a deslocação dos edifícios», assumiu, na altura, o vereador Abel Girão, não estabelecendo uma relação directa de causa/efeito entre a obra e a deslocação dos edifícios.
Pedro Pires defende que os trabalhos sejam «acelerados», constatando que ainda decorrem, apesar das garantias de rapidez por parte da autarquia.
«Disseram que ia haver uma intervenção rápida, no sentido de escorar aquilo [o talude] em 24 horas. Hoje é quinta-feira, ainda o estão a fazer e não vai ficar pronto», alertou.
O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, Luís Leal, assumiu à Lusa que o construtor de um dos prédios afectados «pediu autorização à Câmara» para efectuar trabalhos de «sustentação» do prédio, o que foi concedido.
O autarca frisou que a obra de consolidação em curso junto ao talude «está dentro dos prazos».

Fonte: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/montemor-o-velho-moradores-predios-talude-tvi24/1207875-4071.html

terça-feira, 9 de novembro de 2010

URBANIZAÇÃO EM PEREIRA

Intervenção de emergência para parar deslizamento

A análise técnica realizada ontem aos prédios da Quinta de São Luiz, na vila de Pereira, que se deslocaram desde quinta-feira, provocando o surgimento de rachas e fendas, revelou que, de momento, os imóveis não representarão perigo imediato para os cerca de 50 moradores.
Ontem, ao final da tarde, numa reunião onde estiveram presentes elementos da Protecção Civil Municipal e Distrital, bombeiros, Cruz Vermelha, técnicos municipais e também do Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico em Ciências da Construção (iTeCons) da Universidade de Coimbra, foi decidida a realização de uma intervenção de emergência para suster o talude, uma forma de, para já, parar o movimento dos edifícios, que se voltou a manifestar durante a noite de ontem.
O vereador do Protecção Civil da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho explicou aos jornalistas, no final do encontro que, «não existe, neste momento, nada que motive risco para os moradores», explicando que, pelo menos por agora, «não serão evacuados».
Explicando que a chuva dos últimos dias, associada às escavações da obra da Unidade de Cuidados Continuados da Misericórdia de Pereira «poderá ter agravado a situação», Abel Girão não quis adiantar razões concretas para o deslizamento dos imóveis, justificando que «a preocupação da Câmara Municipal é exclusivamente em termos de protecção civil», deixando para mais tarde uma «avaliação de toda a encosta».
De resto, ao final da tarde iria começar a ser feita uma intervenção de consolidação do talude, que estará terminada, segundo as previsões, até ao final do dia de hoje. Entretanto, revelou ainda o vereador, a autarquia estava também a preparar toda a logística necessária a uma eventual evacuação dos moradores, que será realizada caso a situação se deteriore.
À semelhança do que já acontecia desde sábado, vários técnicos monitorizam a evolução dos imóveis, recorrendo, inclusivamente, a técnicas de topografia, como meio para detectar qualquer tipo de movimento.
Quem não ficou satisfeito com a decisão de não realizar a evacuação foram os moradores, alguns dos quais se deslocaram aos Paços do Concelho e receberam explicações por parte dos técnicos.
Agastado com a solução, que já tinha preconizado antes de lhe ser comunicada, Acácio Tarrafa disse aos jornalistas que «o risco continua lá, pelo que não estou mais descansado», sustentando ainda que «são remendos aquilo que lá vão fazer».

Dedo apontado à obra vizinha
Preocupados com os seus bens e as suas casas, mas, especialmente, com a sua segurança e dos familiares, os moradores relataram que, nos testes realizados de manhã, a terra “engoliu”, literalmente e com grande facilidade, dois ferros, de dois e quatro metros, que os técnicos espetaram.
Este episódio confirmou, no entendimento dos moradores, que os terrenos situados por baixo dos prédios estão instáveis e não apresentam condições de segurança, pelo que defendem, como é o caso de Acácio Tarrafa, a evacuação até a situação ser resolvida.
Este e outros moradores relacionam o movimento dos três blocos em questão, um dos quais de forma muito perceptível - afastando-se o suficiente para caber uma mão entre dois dos imóveis - , com a escavação das fundações para a construção da Unidade de Cuidados Continuados.
«Há quatro anos que moramos aqui e nunca houve problemas com os prédios, só desde que começou a obra», referiu outro morador, Pedro Pires, estabelecendo uma relação causa-efeito, muito embora admita, tal como os vizinhos, que o problema possa estar na forma como os imóveis foram implantados, e “posto a nu” pelas escavações vizinhas.
Os primeiros sinais evidentes foram detectados ainda na quinta-feira e transmitidos à autarquia no dia seguinte. Os últimos quatro dias terão sido fundamentais para a evolução negativa da situação, com os prédios a separarem-se vários centímetros e aparecerem fendas de dimensão considerável nos blocos de habitação, mas também na rua adjacente, que está cortada ao trânsito automóvel. O movimento provocou ainda rupturas nas redes de gás, e água.

Município admite queixa ao Ministério Público
Ontem de manhã, durante a reunião do executivo, o presidente da Câmara Municipal de Pombal reafirmava que a sua prioridade é a «segurança das pessoas», frisando que «estamos extremamente preocupados, mas atentos», referindo a vigilância constante por parte dos técnicos».
Luís Leal recusou-se a apontar responsabilidades, por não ser «a melhor hora», mas não deixou de frisar que as causas e responsáveis vão ser apurados a seu tempo, não excluindo a hipótese, caso isso se justifique, de apresentar queixa ao Ministério Público.
A situação afecta, não só moradores, como os proprietários de imóveis ainda por habitar, um dos quais esteve ontem nos Paços do Concelho, onde se lamentou dos prejuízos provocados pela anulação de escrituras que já tinha marcadas.

Escrito por José Carlos Salgueiro
In http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=9834&Itemid=135

Prédios “cederam” na Urbanização Quinta de S. Luiz

Os moradores de pelos menos dois blocos da Urbanização Quinta de S. Luiz, em Pereira, Montemor-o-Velho, preparavam-se ontem para uma noite de inquietação. Com desníveis e fendas nos edifícios, temem a chegada anunciada das chuvas e a derrocada de um frágil muro que separa o acesso às garagens do buraco de uma obra.
Foi há cerca de um mês, após o início de uma obra na urbanização, que os moradores do bloco 34 da Quinta de S. Luiz sentiram as primeiras mudanças na estrutura do prédio, construção já com cinco anos e que «nunca tinha dado qualquer problema». Depois sugiram os cortes de abastecimento de água e de gás, que os moradores dizem ter acontecido após «rebentamento de condutas», a semana passada «as garagens chegaram a ser inundadas».
Por tudo isto, a obra de construção de uma unidade de cuidados continuados da Santa Casa da Misericórdia foi parada na sexta-feira. Ontem, o cenário era de grande preocupação, com os moradores a chamarem os jornalistas para observar, in loco, as fendas nas juntas dos prédios – algumas já de sete centímetros –, as inclinações e os preocupantes desníveis nos passeios.
Pedro Pires, um dos moradores do bloco mais afectado – o outro está imediatamente em frente, mas do outro lado da estrada, é o prédio da pastelaria Barca Doce – disse ao Diário de Coimbra que «os problemas não se devem ao prédio em si, que já está feito há mais de cinco anos», mas sim à referida obra. Carla Lucas acrescenta que no espaço de uma semana as fendas e os desníveis se foram agravando.
Todos os moradores apontam o dedo à construção em curso no terreno ali ao lado, mas a um nível bastante mais baixo, criando uma «encosta com pouca sustentação» dos terrenos. «O abatimento foi tal que agora parece que foi criado um degrau no acesso ao prédio», repara Marta Vilão.

“Estamos em segurança?”
«Será que estamos aqui seguros? Podemos dormir descansados? E se chover?». As perguntas eram repetidas por Acácio Tarrafa, em nome das cerca de 20 famílias do bloco de prédios, um total de meia centena de pessoas, entre as quais diversas crianças. «Se chover, a situação agrava-se, o terreno já está a ceder e o muro pode cair arrastando tudo atrás», acrescentava o morador, lamentando que «a obra tenha simplesmente parado». «Deviam estar aqui 24 sobre 24 horas se preciso fosse para construir uma estrutura de suporte», indignava-se Acácio Tarrafa, corroborado pelos presentes.
Os moradores reparam, por exemplo, que algumas das portas e janelas do apartamento já estavam a fechar com dificuldade, provavelmente devido aos desníveis, e alertam para a necessidade de alguém assumir as responsabilidades por eventuais danos na estrutura, mesmo depois de reposta a segurança.
Desde a primeira hora, os moradores contaram com o apoio e presença do presidente da Junta de Freguesia de Pereira, António Rasteiro, que ao fim da tarde permanecia no local. O engenheiro da Protecção Civil Hélder Araújo coordenou durante todo o dia as operações de monitorização . Mas não só. Por ali passaram também, durante o dia, outros técnicos da Câmara de Montemor-o--Velho, responsáveis da obra em causa e funcionários dos serviços de gás.

Sem alarme para já, mas com atenção às chuvas
«Para já, penso que não existem razões para criar alarmismo», dizia ontem ao final da tarde o engenheiro da Protecção Civil na autarquia de Montemor-o-Velho, Hélder Araújo. O responsável e uma equipa técnica estiveram no local durante todo o dia a fazer medições e monitorização do risco. «Tendo em conta as marcações que fizemos de manhã e agora ao final do dia, achamos que não existem motivos de alarme», afirmou ao Diário de Coimbra, respondendo assim, ainda que indirectamente, às dúvidas dos moradores. Estes permaneceriam, todavia, em desassossego, principalmente por causa da previsão de chuva.
A chuva é, como admitiu Hélder Araújo, uma variável importante. «Já consultámos os serviços de Meteorologia para saber da previsão de chuva e vamos estar atentos», referiu, acrescentando que bombeiros e forças de segurança também seriam alertados para uma eventual vigilância nocturna.
O presidente da Junta, António Rasteiro, revelou que António Girão, vereador da Protecção Civil, fará hoje um balanço da situação e que para amanhã está marcada uma reunião na Câmara Municipal com todos os interessados – técnicos, responsáveis de obra, engenheiros e, eventualmente, com opiniões de especialistas do Laboratório Nacional de Engenharia Civil - para «avaliar danos e riscos e para delinear um plano de segurança que, só no limite, deverá determinar a evacuação».

Escrito por Andrea Trindade
In http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=9816&Itemid=135
Reunião de hoje vai avaliar se os blocos continuam em movimentação. Moradores mostram-se preocupados
Técnicos da Universidade de Coimbra e da Câmara de Montemor-o-Velho reúnem esta manhã, na autarquia, para analisar o deslizamento de prédios que se tem vindo a verificar nos últimos dias na Urbanização Quinta de S. Luiz, em Pereira. No encontro, que conta com a participação do promotor da obra, bem como do presidente da Junta de Pereira, deverá ser analisado em profundidade o caso, percebendo-se se a situação está estabilizada ou os blocos continuam em movimentação.Os desníveis e fendas entre pelo menos dois blocos da Urbanização Quinta da S. Luiz já se vinham a notar há alguns dias, mas foi no sábado que a situação se agravou, com dois blocos a ficarem literalmente separados um do outro. As fendas chegaram a atingir vários centímetros, para preocupação dos moradores que, desde então, vivem em sobressalto.Responsáveis da Protecção Civil da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho acabaram por ir ao local e dar alguma tranquilidade aos moradores, mas a verdade é que, desde então, tem estado, permanentemente, um piquete de segurança na zona afectada da urbanização. Ao Diário de Coimbra, o presidente da Junta de Freguesia de Pereira explicava que os técnicos da autarquia e da Universidade de Coimbra permaneciam no local a colocar testemunhos entre as frestas, «para perceber se há alteração ou não». «Mas está tudo tranquilo», dizia António Rasteiro.Entre os moradores, contudo, mantém-se a preocupação, tanto mais porque dizem ter havido uma alteração durante a noite. «De ontem para hoje já há mais duas fissuras na casa, ou então não as tínhamos visto», disse Acácio Tarrafa, um dos moradores, que falava representando as cerca de 20 famílias que habitam o bloco mais afectado. «É mesmo na placa da espinha dorsal do prédio», explicou ainda o morador, preocupado, ainda que os responsáveis presentes ontem no local lhe tenham transmitido uma mensagem de tranquilidade. «Para já não vêem perigo, mas confirmam um deslizamento grande de terras», diz ainda, sublinhando que é preciso fazer alguma intervenção rapidamente, tanto mais porque as chuvas «podem agravar enormemente a situação». As fendas e desníveis terão sido provocados pela obra de construção de uma unidade de cuidados continuados da Santa Casa da Misericórdia, que acabaria por ser parada na sexta--feira. Os moradores afirmam que os prédios, construídos há cinco anos, nunca apresentaram qualquer problema.
Escrito por Margarida Alvarinhas